
NOSSO PLANETA está doente e febril. A sua temperatura média, de acordo com as últimas pesquisas, aumentou 0,74ºC nos últimos cem anos. Parece pouco, mas essa taxa de crescimento supera em muito as variações naturais do clima no período pré-industrial. As geleiras encolhem e a calotas polares minguam. Algo vai mal, muito mal.
Dessa vez, não se trata de previsões apocalípticas sem fundamento. O aquecimento global, mais do que "verdade inconveniente", é uma triste realidade. Os seus efeitos já se fazem sentir na crescente imprevisibilidade climática, caracterizada pelo aumento do número de furacões, secas prolongadas, inundações severas, invernos sem neve em muitas partes da Europa e da América do Norte etc.
O incremento do nível dos oceanos, causado pelo derretimento das geleiras, é também outra conseqüência do aquecimento global que ameaça varrer do mapa, no sentido literal, países situados em ilhas coralinas.
O pior, contudo, é que essa doença planetária é causada pelo homem. O recém-divulgado relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), da Organização das Nações Unidas, afirma, com "quase certeza", que o aquecimento global verificado nos últimos 250 anos é antropogênico.
Esse relatório da ONU traça quadro sombrio. O cenário mais provável prevê um aumento da temperatura média da Terra entre 1,7ºC e 4,4ºC até o final deste século, o que seria suficiente para causar secas e inundações em escala inaudita, quebra de colheitas e fome (especialmente nos países mais pobres), incremento das taxas de derretimento de geleiras e calotas polares e aumento de até 40 cm nos níveis dos oceanos, além da óbvia perda acelerada da biodiversidade.
Outro documento recente, o "Relatório Stern", prevê que o efeito estufa deverá reduzir em cerca de 5% o PIB mundial.
No Brasil, estudos realizados com apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA) demonstram que o aquecimento global ocasionará erosão de centenas de quilômetros do litoral, desaparecimento dos manguezais, aumento das secas no Nordeste e inundações no Sudeste. No Estado de São Paulo, a cultura do café poderá desaparecer.
Felizmente, calcula-se que investimentos anuais da ordem de apenas 1% do PIB mundial poderiam conter esse fenômeno. Ou seja: o custo do combate ao aquecimento global é bastante menor que o custo da tentativa de conviver com ele. Mas os mecanismos existentes para esse combate ainda são frágeis.
O Protocolo de Kyoto e o mercado do carbono, embora imprescindíveis, têm-se mostrado insuficientes. A recém-anunciada decisão da União Européia de reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 20% até 2020 é digna de aplauso, porém se circunscreve àquele bloco regional.
[...]
Não temos alternativas. O destino do planeta é o nosso destino. Estamos presos à Terra, e ela já passou por cinco eventos de quase extinção total da vida. Precisamos evitar o sexto -e talvez definitivo evento-, que nos incluiria a todos.
(Folha de S. Paulo. Planeta febril. Aloizio Mercadante.)
"O dia em que o clima escapará do controle está próximo. Estamos chegando ao irreversível. Nessa urgência, não há tempo para medidas mornas. É hora de uma revolução em nossas consciências, em nossa economia e em nossa ação política".
(Jacques Chirac, presidente da França, em 02.02.2007.)
Em artigo publicado pelo Jornal Folha de São Paulo (Tendências e Debates - 16/3/2007), o Senador Aloizio Mercadante expõe com clareza o problema/fato em que estamos inseridos e fazemos parte do núcleo de protagonistas.
Durante sua argumentação, Aloizio mostra ao seu leitor dados extremante alarmantes, números que são conhecidos por praticamente toda população mundial, mais que infelizmente é encarado de olhos fechados.
Termina seu texto brilhantemente dizendo “Não temos Alternativas. O destino do planeta é o nosso destino. ESTAMOS PRESOS À TERRA [...]”
Deixem as pobres vacas em Paz e use menos seu automóvel!
Até a próxima!
Gabriel Zanin


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